Espaço de reflexão e de partilha dinamizado pelos professores e técnicos do Departamento de Educação Especial do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita - Loulé
08 de Junho de 2015

Sociedades Primitivas


O Destino das Pessoas com Deficiência

É muito comum acharmos que, durante os muitos milénios da Pré-História, pessoas muito feridas durante suas actividades diárias de caça, de escaramuças ou mesmo de trabalhos dentro das cavernas, pessoas doentes, convalescentes ou com alguma deficiência seriam alijadas do grupo ou mortas. 
No entanto, materiais variados descobertos e analisados por paleontólogos e por paleopatologistas indicam que essa presunção não é verdadeira. 
Vejamos, por tópicos, alguns achados que retratam a existência de deficiências no mundo primitivo – desde a Pré-História até os dias actuais. 

Deficiências na Pré-História

1. Pythecantropus erectus – Existem poucos ossos do tipo humanóide conhecido por esse nome científico: uma calota craniana, três dentes, um fémur e pouca coisa mais. O fémur apresenta uma espécie de tumor ósseo bem volumoso no seu terço superior, próximo à sua cabeça. Esse sinal de tumor é atribuído pelos cientistas a uma fractura ou a um aneurisma.

2. Homem de Neandertal - Há ossos do chamado Homem de Neandertal que apresentam traços de traumatismo. Existe, por exemplo, no úmero esquerdo, uma cicatriz que corresponde a uma lesão séria. No esqueleto desta espécie, descoberto em Krapina, ao norte da Jugoslávia, nota-se um sinal de fractura solidificada na clavícula. O esqueleto descoberto nos arredores de La Chapelle-aux-Saints, na França, mostra sinais de artrite deformante.

3. Homem Cro-Magnon - A espondilose foi encontrada num esqueleto de um homem pré-histórico conhecido como Cro-Magnon. Trata-se de um mal de efeitos muito limitadores, pois a espinha dorsal em geral fica com uma curvatura acentuada, a cabeça inclina-se para a frente e as coxas flexionam-se. 

4. Fémur fracturado - Stephen Chauvet, em sua obra "La Médecine chez les Peuples Primitifs - Préhistoriques et Contemporaines" afirma que o Dr. Raymond Dart - famoso paleontologista australiano - relatou ter estudado um fémur direito de um homem pré-histórico, encontrado numa gruta de Baye, no Vale do Petit Morin, na França, que havia sido fracturado em seu terço inferior. O fragmento menor tinha sua ponta, na linha áspera e quebrada, solidificada à extremidade baixa do pedaço superior do fémur, mas com grande desvio. O conjunto era envolvido por uma significativa calosidade óssea de aproximadamente 20 centímetros de circunferência. Desse desvio resultava um considerável encurtamento da perna. É de se notar que ossos provenientes dessa mesma gruta apresentam - quase todos - sinais de osteoartrite de natureza reumática. Segundo alguns cientistas, essa afecção apresenta-se como um real obstáculo à boa solidificação de uma fractura.

5. Frequência do reumatismo - O reumatismo, em suas mais variadas formas, foi muito frequente e devastador na Pré-História. Os achados mostram que havia casos que iam desde a chamada osteopatia peri-articular, até a total imobilização do homem primitivo. Um exemplo marcante foi encontrado em ossos do Homem de Neandertal, descoberto em La Chapelle-aux-Saints, na França. Pela análise dos mesmos, especialistas constataram sinais claros de articulações coxo-femurais com artrite seca e com poli-artrite.

6. Mãos com Dedos em Falta - Há cavernas pré-históricas que mostram a presença de "artistas" que pintaram cavalos, rinocerontes, bisontes, cervos, gado vacum, felinos, ursos e outros animais selvagens, com os quais os homens defrontavam-se sempre. Perto de seus desenhos, por vezes encontramos os contornos de mãos, como a registar: "Eu estive aqui". Até os meados da Década de 80 apenas algumas dessas mãos haviam sido descobertas na Caverna de Gargas, na Espanha. Mas foi no ano de 1985 que Henri Cosquer, um mergulhador profissional, descobriu, perto de Marselha, na França, uma caverna pré-histórica parcialmente submersa, com sua entrada a mais de 35 metros de profundidade. Nela notou-se que havia sinais de ocupação contínua desde mais de 25.000 anos e, além da ilustração de muitos animais, lá estão os claros contornos de mais de 56 mãos, das quais muitas apresentam dedos amputados. 

Dúvidas pertinentes

A perda de dedos das mãos deveria significar um problema muito sério nas variadas fases da Pré-História. 

No entanto, a mera sobrevivência de indivíduos com lesões sérias, com amputações ou fracturas, já é indicativa clara de um verdadeiro apoio do grupo humano, que permitia sua convalescença e total recuperação.

Notamos na Caverna de Cosquer, por exemplo, um sinal que nos surpreende e que nos faz pensar e levantar questões sem resposta: O que poderia significar, na prática, a perda de dedos, de acordo com ilustrações ao lado, que retratam os casos detectados nos achados da Caverna de Cosquer ou de Gargas? Como essas pessoas assim lesionadas conseguíam desenvolver suas actividades? 

De outra parte, se considerarmos casos de fracturas, como conseguíam sobreviver por semanas (meses?) de recuperação dentro de seu grupo? No caso do fémur acima discutido, como foi possível a esse homem sobreviver, sem participação activa em caçadas ou actividades que demandavam mais agilidade?

Sua imagem triste, com cabelos longos e desgrenhados, envolta em peles de animais selvagens e apoiada num bastão improvisado, coxeando pelas agrestes e perigosas trilhas de então, num ponto perdido dos milénios da Pré-História, permanecerá em nossa imaginação sem maiores esclarecimentos. 

É muito interessante estudar como os grupos humanos desenvolveram esforços para registar fatos e comunicar ideias, na ausência da linguagem escrita. Essa característica não é exclusiva dos incas, por exemplo, que usavam cerâmicas utilitárias para armazenar água, mas também dos maias, aztecas, chimus e outras raças que existiram na América Latina. 

Cientistas têm chegado à conclusão de que gravuras e/ou esculturas de homens pré-históricos em suas cavernas, são muito mais do que meras ilustrações de contornos de animais hoje perfeitamente reconhecidos. 
E, comovente como sempre tem sido, as imagens de silhuetas de mãos - muitas mãos em cavernas distantes a centenas de quilómetros umas das outras - pertenceram a pessoas como nós, hoje, no século XXI, como a nos dizer: "Eu estive aqui"."Eu faço parte deste grupo". "Eu moro aqui"."Eu não tenho dedos"...

Essa comunicação ilustrada pode até estar nos informando que, mesmo sem os dedos, o indivíduo vivia naquele meio, da mesma forma que os demais ocupantes da caverna.
 
Atitudes face a Pessoas com Deficiência

Nas sociedades primitivas, que existem até hoje nas mais diferentes partes do mundo, encontramos atitudes variadas com relação a pessoas com deficiência, indo desde a aceitação e respeito, até a completa rejeição e eliminação.

Na opinião de autoridades em Antropologia e mesmo de diversos historiadores da Medicina, podem ser observados basicamente dois tipos de atitudes para com pessoas doentes, idosas ou com deficiências: Uma é de aceitação, de tolerância, de apoio e de assimilação e outra de rejeição, eliminação, menosprezo e destruição. 

Na primeira, as pessoas que estão à margem do grupo principal devido a acidentes, doenças, velhice ou defeitos físicos são em geral aceitas das mais variadas maneiras, incluindo-se a tolerância pura e simples, chegando até ao tratamento carinhoso, ao recebimento de honrarias e à obtenção de um papel relevante no seu grupo ou em sua comunidade. É interessante ressaltar que esses mesmos antropólogos e historiadores observam que as encontradas atitudes positivas e de aceitação não correspondem necessariamente a raças mais cultas, experimentadas e evoluídas. 

No segundo tipo de atitude, todavia, essas mesmas pessoas são diminuídas e colocadas à margem do seu grupo, ou, em certas culturas primitivas, são abandonadas à própria sorte em ambientes agrestes e perigosos, morrendo devido à desnutrição ou aos ataques de animais selvagens. 

Essas atitudes são bem diferentes daquelas de destruição habitual e sistemática adoptadas por grupos primitivos mais complexos, dedicados à agricultura e também ao pastoreio e a uma incipiente pecuária. Se estudarmos com cautela verificaremos que dentre as diversas causas para a destruição das pessoas com deficiências existe uma relativa a crenças e cultos, mas há também aquela baseada na realidade que cerca a própria sobrevivência do grupo, face à quase inutilidade das mesmas.

A - Atitudes de Aceitação, Apoio e Assimilação 

Muitos são os povos primitivos que adoptam ou adoptaram atitudes de apoio, de assimilação, de aceitação ou de tolerância para com as pessoas com deficiência, com doenças mentais ou em idade avançada. Ressaltemos alguns:

Os nativos AONA residem ainda nos dias actuais à beira do lago salgado de Rudolf, no Quênia, numa ilha conhecida como Elmolo. Inicialmente eram nómadas, mas com sua localização nas margens do lago, tornaram-se pescadores. 
Segundo sua crença, os cegos mantêm uma relação estreita e directa com o sobrenatural. Para eles, os espíritos dos sobrenaturais moram no fundo do lago salgado e orientam directamente os cegos quanto aos locais onde há fartura de peixe. Assim, os cegos sempre participam das pescarias primitivas. Atiram suas lanças na direcção onde existem cardumes. É compreensível que, entre os AONA, os cegos são muito bem tratados. 

Entre o Sudão e o Congo, numa região de densas florestas, vivem os AZANDE. 
Trata-se de um povo muito primitivo. Adoptam um nomadismo esporádico. Todos os componentes dessa raça acreditam muito em feitiçaria. No entanto, não chegam a relacionar defeitos e anomalias físicos com intervenções sobrenaturais. Crianças anormais nunca são abandonadas ou mortas. Não lhes falta atenção dos pais ou de parentes mais próximos. Segundo antropólogos que estudaram essa raça, dedos adicionaisnas mãos ou nos pés são bastante comuns e eles se orgulham de os possuir.

Na parte Sul de Gana, a Oeste da África, vivem os ASHANTI, que totalizam ao redor de um milhão de membros. Quando constituíam um reino próprio, era costumeiro enviar à corte real crianças com defeitos físicos para serem treinadas como arautos do rei. Esses mensageiros com deficiência física eram destacados para missões delicadas, como, por exemplo, a iminência de guerra com tribos vizinhas. Em geral a mensagem do rei ASHANTI era incisiva e terminava com um recado enfático do arauto: "Se esses termos não forem aceites, poderei ser morto agora mesmo". Parece que isso não acontecia, entretanto. Os inimigos limitavam-se, por exemplo, a cortar um dos dedos do arauto, o que equivalia a uma declaração de guerra. Além dessa perigosa missão, os homens com deficiência eram utilizados como inspectores sanitários ou colectores de impostos. Eram também utilizados como bufões e tinham o privilégio de dizer a seu mestre o que bem entendiam. Foram também usados como espiões.

Entre os DAHOMEY, membros mais antigos das raças que povoavam o actual território do Dahomey, localizado na África Ocidental, sempre foi considerado como fato costumeiro que as autoridades conhecidas como "condestáveis do Estado" fossem seleccionadas principalmente entre pessoas com deficiências físicas ou sensoriais. Em várias aldeias da região, crianças nascidas com anomalias físicas sérias eram tidas como protegidas por agentes sobrenaturais especiais. Segundo crença popular, essas crianças existem para trazer sorte à aldeia. No entanto, em tempos passados, o destino de muitas delas dependia de alguns sinais supostamente sobrenaturais que podiam determinar seu abandono à beira de um rio.

Entre os nativos da raça MACRI, da Nova Zelândia, pessoas deformadas ou com deficiências não são mortas nem abandonadas. Elas sobrevivem, embora com dificuldade, pois não encontram muito apoio e chegam mesmo a receber tratamento ou apelidos de natureza menos agradável.

Os famosos PÉS NEGROS formavam uma tribo hoje praticamente extinta da América do Norte. Entre esses selvagens cuidava-se bem dos familiares com deficiência. Essas pessoas eram responsabilidade do próprio grupo familiar, mesmo que isso chegasse a acarretar sacrifícios. 

Os primitivos componentes da tribo dos PONAPÉ, nas Ilhas Carolinas Orientais, sempre trataram bem crianças com defeitos físicos ou evidentes sinais de deficiência intelectual, como se fossem normais.

Já entre os nativos da raça SEMANG - habitantes de parte da Malásia - só pessoas que se movem com o auxílio de um bastão ou de uma muleta, devido a um defeito físico ou à cegueira, é que são procuradas para orientações ou para decidir disputas. Trata-se de uma tribo negrito muito primitiva, que ainda vive em cavernas ou em abrigos de folhas.

Para os nativos TRUK, habitantes das ilhas que levam seu nome - localizadas nas Carolinas - as pessoas com deficiências das mais diversas naturezas e também as pessoas muito idosas que não podem prover seu próprio sustento - ou que dependem necessariamente dos outros - são consideradas como supérfluas. No entanto, esses aborígenes não tomam qualquer providência para sua segregação ou para sua eliminação.

Entre nossos antigos índios TUPINAMBÁ do século XVI, o adulto doente ou deficiente por ferimentos graves de guerra, de caça ou devido a acidentes da vida na floresta era deixado à vontade em sua cabana, praticamente sem contacto algum com o restante da tribo. Ficava sem comer e sem beber, se assim o desejasse. Podia pedir alimentos, que lhe seria fornecido pelo tempo que considerasse necessário, mesmo que pelo resto de sua vida. O que em geral acontecia, porém, por posicionamento do guerreiro ferido, era que acabava morrendo à míngua.

Nas fraldas do monte Kilimanjaro, ao norte da Tanzânia - leste da África - vivem os nativos da tribo XAGGA, ou Chagga. No seio dessa tribo primitiva ninguém se atreve a prejudicar ou a matar crianças ou adultos com defeitos físicos, pois segundo acreditam, os maus espíritos habitam nessas pessoas e nelas se aquietam e se deliciam, o que torna a normalidade possível a todos os demais.

B - Atitudes de Abandono, Segregação ou Destruição 

Alguns dos povos primitivos pesquisados não se preocupam ou não se preocupavam com as pessoas com defeitos físicos ou mentais, em termos de sua vida, mas tomavam atitudes discriminatórias por vezes muito sérias contra elas. Vejamos alguns exemplos: 

BALI - Os nativos da Ilha de Bali, na Indonésia, estão tradicionalmente impedidos de manter contactos amorosos com pessoas muito diferentes do normal, como, por exemplo, os albinos, as pessoas com deficiência intelectual séria, os hansenianos e, de um modo geral, com as pessoas com defeitos físicos. 

CHIRICOA - Eles habitam as florestas colombianas e andinas e mudam-se com facilidade ou de acordo com as exigências para sobrevivência do grupo. Esses índios, tanto quanto certas tribos do Caribe antigo o faziam, abandonam pessoas muito idosas ou incapacitadas por doenças ou por mutilações, por ocasião de suas mudanças. Cada membro da comunidade carrega tudo o que pode levar e transportar pela selva, e que é considerado como estritamente necessário para sobreviver. Essas pessoas com deficiência ou muito velhas e doentes terminem seus dias abandonadas nos antigos sítios de morada da tribo, por não poderem movimentar-se ou por não serem consideradas como fundamentais para a sobrevivência do grupo. 

ESQUIMÓ - Entre os esquimós mais antigos que mantiveram contacto com missionários franceses dos séculos XVII e XVIII nos territórios canadenses de hoje, as pessoas idosas ou com defeitos físicos sérios eram deixadas, muitas vezes por sua própria orientação e sua própria escolha, num local mais propício e próximo dos pontos onde todos sabiam ser área de convergência contínua dos ursos polares, para serem por eles devorados. Segundo acreditavam, os ursos brancos eram considerados como animais sagrados e de grande utilidade para a tribo, devendo manter-se sempre bem alimentados. Dessa forma, seu espesso pêlo mantinha-se em óptimo estado para, quando mortos, bem agasalharem a população. 

SIRIONO - Esses índios são semi-nómadas e de língua Guarani. Habitam nas selvas da Bolívia, próximos das fronteiras com o Brasil. Para eles, a doença e a incapacidade física, bem como a velhice avançada, podem levar ao abandono e mesmo à morte, com certa frequência, devido à constante movimentação da tribo. Os pertences e a cabana daqueles que morrem são costumeiramente destruídos pelo fogo.

C - O Extermínio de Pessoas com Deficiência 

A maioria dos povos primitivos, no entanto, indicada o extermínio como solução para o problema de crianças ou de adultos com defeitos físicos ou com problemas intelectuais marcantes. Vejamos alguns dos casos mais famosos relatados em estudos de antropologia: 

AJORE - Os índios Ajore vivem ainda hoje como nómadas, em regiões pantanosas, entre os rios Otuquis e Paraguai, nos isolados confins da Bolívia e do Paraguai. São considerados como orgulhosos nativos do Gran Chaco. Devido ao nomadismo, todos os recém-nascidos com defeitos físicos - ou mesmo aqueles não-desejados - são enterrados junto com a placenta, ao nascer. Os velhos Ajore, ou aqueles que, devido às circunstâncias ficaram deficientes, são enterrados vivos, por solicitação própria ou mesmo contra a sua vontade. Alguns consideram esse tipo de morte altamente desejável, pois a terra os protegerá contra tudo e contra todos. 

CREEK - Velhos doentes e vítimas de males crónicos eram mortos por misericórdia pelos índios Creek. Acreditam esses índios que esses velhos ou doentes poderiam acabar caindo nas mãos de inimigos e sofrer muito mais. Os idosos mais saudáveis sempre forem respeitados e mesmo reverenciados por todos os componentes da tribo. 

DENE - Os índios Dene, do Noroeste do Canadá, tinham o costume de eliminar pessoas com defeitos físicos ou incapacitadas devido à idade. Essas pessoas eram também abandonadas nas planícies geladas de seus imensos territórios.

DIERI - O infanticídio acontece com frequência na tribo dos Dieri, que ocupa algumas regiões do Centro da Austrália. Dele são vítimas não apenas recém-nascidos com defeitos físicos, mas também aqueles nascidos de mães solteiras. No entanto, nessa e em várias outras tribos australianas, o respeito pelos idosos é constantemente citado pelos antropólogos que se dedicam ao seu estudo. Em quase todas as tribos da Austrália os velhos são respeitados como líderes e como conselheiros.

JUKUN - Trata-se de uma tribo da Nigéria, na qual crianças que nascem com deformações não sobrevivem. Elas são abandonadas nas florestas ou nos lugares ermos onde logo encontram a morte. Acreditam os nativos Jukun que as crianças com defeitos físicos são tomadas, ainda no ventre da mãe, por espíritos malignos.

MASAI - Os nativos da raça Masai são sempre elegantes, magros e muito altos. Eles são de uma definida origem Nilo-hamítica nómada. Costumam tirar a vida de crianças recém-nascidas que se apresentam muito fracas ou que já apresentam deformações.

NAVAJO - Os índios Navajo, aparentados dos Apache e formadores da maior raça indígena norte-americana, no passado distante não permitiam que uma criança com defeito físico sobrevivesse. Ela era asfixiada ou afogada no meio do mato ou ocasionalmente queimada viva. Mesmo hoje em dia os Navajo não se sentem muito à vontade diante de pessoas com defeitos físicos. Consideram, em seu íntimo, que elas estão fora da harmonia das forças da natureza e que o contacto com elas acabará trazendo desarmonia na vida de cada um.

OJIBWA - Conhecido grupo étnico de índios norte-americanos, existem famílias Ojibwa residentes ainda hoje nas ilhas Parry, no Canadá, que acreditavam e talvez até hoje acreditem que pessoas com defeitos físicos são feiticeiras e que sofrem com seus problemas físicos porque os seus poderes de cura acabam voltando-se contra elas mesmas. Essas pessoas com defeitos físicos podem ser acusadas de feiticeiras e, no passado, se fossem condenadas, eram mortas a pauladas.

SALVIA - Nas matas fechadas da Amazónia sempre viveram os índios Sálvia, hoje em extinção. Eles costumam dar a morte aos fisicamente defeituosos, por serem considerados como elementos claramente marcados por espíritos malignos. 

SAULTEAUX - Esses índios pertencem à grande raça dos Ojibwa. Estão espalhados tanto pelos Estados Unidos quanto pelo Canadá, nas regiões agrestes ao redor dos Grandes Lagos e em especial do lago Winnipeg. Pensavam esses índios que as pessoas com deficiências físicas eram possuídas por espíritos malignos, o que levava a tribo a matá-las. Eram também consideradas como verdadeiras ameaças aos deuses que, com sua morte, mantinham-se pacificados e contentes.

UITOTO - Segundo costume observado pelos integrantes dessa tribo do alto Amazonas, a sudeste da Colômbia e nas proximidades do Peru, o recém-nascido era sempre submerso num riacho próximo à aldeia por alguns segundos, a pretexto de sua limpeza. Mas isso era feito também para verificar sua rigidez e perfeição física. Caso a criança não fosse suficientemente saudável e bem constituída, melhor seria morrer naquela hora do que passar a vida toda de atribulações para si e para sua família, devido à fraqueza ou defeito físico. Nos casos de ocorrer alguma deformidade durante seu crescimento, o feiticeiro da tribo declarava abertamente que ela havia sido vítima de algum mau espírito, podendo causar malefícios para toda a aldeia. Acabava sendo eliminada.

WAGEO - Entre esses primitivos habitantes da Nova Guiné, as crianças com deformidades físicas eram enterradas logo após o seu nascimento. No entanto, se a deficiência ocorresse durante a vida, as vítimas eram tratadas com cuidado e mesmo com carinho. 

XAGGA - Como vimos acima, muito embora os Xagga jamais procurassem livrar-se de uma criança ou de um adulto com defeitos físicos ou intelectuais, tinham atitude diferente face ao nascimento de uma criança defeituosa. A parteira ou o próprio pai tinham o direito de tomar uma decisão quanto à vida ou a morte de um bebe nascido com deformidades, no próprio ato do nascimento, se as circunstâncias assim o recomendassem, mais ou menos à semelhança dos romanos, em cumprimento a determinações da Lei das Doze Tábuas.
 
in http://www.gforum.tv/board/1747/231590/deficiencia-na-historia.html
publicado por Educação Especial em Loulé às 20:59

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