Espaço de reflexão e de partilha dinamizado pelos professores e técnicos do Departamento de Educação Especial do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita - Loulé
27 de Outubro de 2014

 

publicado por Educação Especial em Loulé às 21:10

Planificar a intervenção

A criança com multideficiência não aprende da mesma forma que as restantes crianças, uma vez que as suas dificuldades cognitivas, sensoriais, motoras, comunicativas e comportamentais influenciam o desenvolvimento global da mesma.

O professor/educador deve procurar conhecer a forma como a criança aprende, ou seja, como processa a informação, assim como analisar e organizar os ambientes onde esta interage.

Deve ainda procurar conhecer a forma como a criança interage com o meio ambiente (como o explora, que tipos de objectos prefere, como comunica as suas vontades, desejos e necessidades, como reage às ajudas, entre outros), como recebe e processa a informação (conhecer as condições óptimas de aprendizagem, conhecer o tempo de processamento da informação, que tempos necessita para responder a estímulos, quais são as suas preferências para processar a informação: tácteis, auditivas, visuais, olfactivas ou a combinação de dois ou mais sentidos, entre outras).

É importante que se conheça a capacidade de atenção da criança (como cativar a sua atenção, saber como esta se distrai, quando esta está atenta – em que condições e em que actividades), assim como os tipos de ajuda que a criança prefere (quais as mais eficazes para a aprendizagem, que tipos de pistas, quais as ajudas físicas a utilizar, entre outras).

Para além disto, é importante que se conheça também o ambiente de aprendizagem onde a criança se insere (casa, escola, etc.), a fim de conhecer as condições existentes para facilitar a sua aprendizagem, se este responde às suas necessidades, entre outros. Ou seja, como é que esses ambientes estão organizados, que actividades são realizadas pela criança e quem interage com ela (adultos e pares).

O professor/educador deve planificar a intervenção tendo em conta as necessidades da criança multideficiente (actuais e do futuro), da família e do ambiente escolar. A partir daqui, poderá definir prioridades (o que se pretende que a criança aprenda) e estratégias (actividades a desenvolver).

Desta forma, criará oportunidades para que a criança desenvolva as suas capacidades, aprenda, participe activamente nas actividades e interaja com parceiros.

 

Áreas/ Domínios a desenvolver

Optámos por dividir o processo de desenvolvimento da criança multideficiente em seis áreas de intervenção diferentes: socialização, comunicação, autonomia, motricidade, cognição e estimulação sensorial.

Embora cada uma destas áreas apresente o seu próprio desenvolvimento sequencial, acabam todas por estar estreitamente ligadas. Ou seja, os progressos registados numa das áreas poderão eventualmente afectar a evolução de uma outra área.

A análise do desenvolvimento tendo em conta estas áreas de intervenção revela-se de extrema importância, contudo, não devemos esquecer que a criança deve ser vista como um todo.

Estas áreas do desenvolvimento relacionam-se entre si: a motricidade fina desenvolve-se com base na motricidade grosseira; a capacidade de autonomia depende sempre do desenvolvimento da motricidade global; a socialização e a autonomia dependem do desenvolvimento da cognição e da motricidade.

O professor/educador deve procurar assegurar um equilíbrio entre todas as áreas do desenvolvimento.

 

Socialização

A socialização pode ser definida como um processo evolutivo de adaptação das crianças ao mundo que as rodeia.

Contudo, existem diversos factores que limitam e prejudicam as crianças com multideficiência, tais como:

- capacidade inferior de exploração do seu meio ambiente;

- falta de oportunidades de interacção;

- fraca exposição a ambientes diferentes;

- carência de vivências de carácter social.

De uma forma geral, estes factores limitadores resultam das “limitações” da criança, nomeadamente, das suas deficiências sensoriais e motoras, da falta de interacção com diferentes parceiros, da falta de contacto com diferentes ambientes, da falta de locais acessíveis, entre outros.

 

Comunicação

A comunicação visa a transferência de informação entre parceiros. Por outro lado, a aprendizagem é um processo de apropriação e gestão da informação.

Torna-se imperioso que o aluno com multideficiência possua meios para transmitir informação (comunicação expressiva) e para receber informação (comunicação receptiva).

Existem diversos agentes que condicionam os alunos com multideficiência, tais como:

- falta de situações que propiciem a comunicação;

- inexistência de parceiros para comunicar;

- ausência de assunto de comunicação;

- dificuldades de comunicação.

Desta forma, a intervenção ao nível da comunicação deve centrar-se na definição de objectivos que possibilitem o aumento de oportunidades de realizar comunicação.

Devemos então considerar a utilização de objectos, desenhos, fala, gestos, escrita, entre outros, como formas de comunicação. Assim como, trabalhar com o aluno de modo a incrementar o nível das funções da comunicação (pedidos, afirmações, negações, perguntas, etc.), alargando os contextos de comunicação, ou seja, poder comunicar em todos os ambientes e com o máximo de interlocutores.

 

Autonomia

Entende-se por autonomia “a capacidade de realização de todas as actividades necessárias à vida normal que terão de ser feitas por alguém quando o aluno não é capaz de as realizar de forma independente” (Low Brown 1986 cit. Por Fernanda Ladeira e Isabel Amaral “Alunos com multideficiência no ensino regular”  pág 34).

A maior parte dos alunos com multideficiência apresentam “limitações” de nível motor, sensorial e cognitivo que prejudicam a sua capacidade de autonomia pessoal e social.

Cabe ao professor/educador definir o nível de participação do aluno possível em cada actividade, no sentido de diminuir a dependência relativamente ao adulto.

Porém, ainda aparecem alguns entraves ao desenvolvimento da autonomia nos alunos com multideficiência, tais como:

- falta de situações em que se trabalhe a autonomia;

- dificuldade de controlo da sua própria vida (tudo é decidido por eles, tudo é feito por eles... );

- impedimento devido às suas deficiências sensoriais, de comunicação, cognitivas...

É então fundamental que o aluno comunique de forma adequada, desenvolvendo um sistema de comunicação que lhe permita fazer escolhas, pedir o que necessita, dizer que sim e que não...

Sensorial

Os sentidos da visão e da audição são os fundamentais para podermos receber a informação do mundo exterior.

Se uma criança possuir alguma deficiência de carácter sensorial torna-se mais difícil de esta entender/interpretar o ambiente que a rodeia, dificultando consequentemente a sua aprendizagem.

Todavia, ainda existem bastantes impedimentos ao desenvolvimento do domínio sensorial nos alunos com multideficiência, tais como:

- falta de estímulos que trabalhem a área sensorial afectada;

- carência de materiais estimuladores e compensadores;

- dificuldades ao nível das acessibilidades.

Deve-se então planificar a intervenção ao nível do desenvolvimento do domínio sensorial tendo em conta a área, ou áreas afectadas (visão, audição, tacto...), assim como considerar que estas também afectam outros aspectos do desenvolvimento (linguagem, área motora, relação afectiva, comportamento exploratório...).

 

Motricidade

A motricidade global apresenta duas áreas de desenvolvimento: a motricidade fina e a motricidade grosseira.

Através da motricidade grosseira a criança multideficiente aprende a movimentar o corpo, utilizando os seus músculos principais: pernas, braços e abdómen. Desenvolvendo habilidades motoras, como: sentar, gatinhar, andar, trepar, entre outras. A motricidade grosseira permite que a criança se desloque e explore o seu ambiente, construindo bases para o desenvolvimento de outras áreas.

O desenvolvimento da motricidade fina prende-se com a realização e controlo de movimentos pequenos e específicos: apanhar um objecto de pequenas dimensões, controlar os músculos da cara, apertar objectos, controlar os movimentos da língua, entre outros.

Contudo, ainda existem alguns factores que confinam o desenvolvimento da motricidade nos alunos com multideficiência, tais como:

- deficiências motoras;

- dificuldades ao nível da autonomia;

- falta de técnicos especializados e de materiais adaptados às suas necessidades;

- dificuldades ao nível das acessibilidades.

 

Cognição

De uma forma geral, podemos definir a cognição como a capacidade para raciocinar e resolver problemas. Contudo, nas crianças com multideficiência estas capacidades incluem a compreensão da permanência das coisas, isto é, os objectos continuam a existir mesmo quando deixam de ser vistos. Assim como a compreensão da relação causa-efeito e a capacidade de tirar conclusões (através da experiência directa e posteriormente através da observação e da recordação).

As crianças com multideficiência revelam grandes dificuldades em assimilar este conceito complexo e abstracto. Todavia, a aprendizagem destas capacidades pode e deve ser trabalhada, permitindo que estas entendam e dominem conceitos importantes que as auxiliem na compreensão do seu ambiente, do funcionamento das coisas, das relações entre os objectos, assim como a influência que elas próprias podem ter sobre o ambiente que as rodeia.

Porém, ainda existem alguns factores que limitam o desenvolvimento da cognição nos alunos com multideficiência, tais como:

- dificuldades ao nível da comunicação;

- limitações no acesso ao ambiente;

- falta de técnicos especializados e de materiais adaptados às suas necessidades;

- dificuldades em dirigir a atenção para estímulos relevantes;

- dificuldades em interpretar a informação.

 

Estratégias gerais

Estratégias para elevar a Socialização

- facilitar o contacto com diferentes alunos, promovendo o convívio entre os mesmos: na sala de aula, no recreio, no bar, no ginásio, ...;

- visitar outras escolas, assim como outros locais onde se propicie o contacto com diferentes pares;

- deixar o aluno explorar objectos, alimentos e pessoas;

- organizar actividades que desenvolvam o contacto e o convívio;

- integrar os alunos multideficientes nas saídas ao exterior, nomeadamente: visitas de estudo, visitas de carácter recreativo ou cultural;

- proporcionar actividades que facilitem o alargamento de experiências, em diferentes ambientes, como: visitar locais da comunidade, ir às compras, café, mercado, ...;

- ter um adulto dentro da sala de aula, a fim de facilitar a participação/interacção do aluno multideficiente nas actividades de grupo;

- ensinar/estimular a criança a aproximar-se e a tocar nos outros;

- realizar actividades práticas na comunidade, tais como: ir à biblioteca, levar uma carta ao correio, pagar a água, ...;

- organizar actividades em que haja a participação de diferentes adultos ou crianças nas actividades do grupo;

- envolver os encarregados de educação e as famílias neste processo, convidando-os a organizar actividades, a colaborar no processo ensino-aprendizagem do aluno, cooperar nas deslocações, auxiliar na organização de actividades, entre outras;

- reduzir os tempos de duração de algumas actividades, de forma a aumentar o nível de participação dos alunos;

- construir rotinas de apoio de modo a que os colegas possam colaborar e participar na adaptação do aluno multideficiente às actividades da sala de aula;

- realizar intercâmbios com outras escolas, instituições e outras entidades, a fim de promover a interacção com diferentes pessoas e diferentes ambientes;

- utilizar os meios de comunicação pessoal para promover a socialização, como a Internet, telefone, correios, ...;

- etc.

 

Estratégias para desenvolver a Comunicação

- criar actividades diversificadas que propiciem a informação e originem a necessidade de comunicar – variando os espaços, as actividades, falar de temas de acordo com os seus interesses, …;

- identificar os parceiros com quem comunica através do nome, dum gesto ou de um objecto de referência – apresentar as crianças umas às outras, colocar questões ao grupo acerca das presenças e ausências, estabelecer uma rotina clara e com consequências das acções, dizer o nome da criança para obter a sua atenção….;

- estruturar as acções no tempo de forma sistemática – lavar as mãos antes de comer, vestir o casaco antes de ir para casa, …);

- organizar um calendário do tempo onde se indiquem as acções diárias e a sua sequência – utilizando desenhos, objectos e escrita, de acordo com as capacidades do aluno;

- Utilizar de switch sonoros;

- ter formas de comunicação variadas de acordo com as capacidades do aluno e de forma a que todos os presentes entendam – representar a mesma actividade de diversas formas, colocar a mão da criança sobre a sua para que esta sinta o que está a realizar e se sinta motivada para  imitar,…;

- construir de tabuleiros com diferentes texturas (para utilizar como calendários, por exemplo);

- tomar atenção às formas de resposta do aluno (como: movimentos corporais, expressões, posturas, respirações, etc.);

- dar tempo para que a criança responda às iniciativa propostas;

- responder ao aluno de acordo com a situação, uma vez que determinados gestos são repetidos, mas dependendo da hora, da situação, do contexto, nem sempre querem dizer o mesmo – apontar para a rua de manhã pode significar ir passear, se for ao final do dia, pode significar que está a chegar alguém para o levar para casa,…;

- diversificar os contextos e parceiros de comunicação – levá-lo à sala de aula, ao recreio,…;

- levar o aluno a pedir materiais em função das actividades propostas, estimulando assim a comunicação – ao almoço não lhe dar o copo de água, não colocar o talher,…;

- responder de forma positiva a todas as formas e tentativas de comunicação – incentivar, dar pistas,…

- dar informação verbal acerca da actividade que a criança realiza, utilizando sempre a fala em conjugação com outras formas de comunicação;

- mediar a quantidade de informação e a forma como é transmitida à criança, uma vez que muita informação e mal estruturada pode ser motivo de confusão e mesmo de desmotivação para a criança.

 

Estratégias para desenvolver a Autonomia

- promover a participação dos alunos de forma parcial, ou seja, dar a possibilidade de o aluno realizar alguns passos da tarefa, com ou sem ajuda, na ausência de capacidade de realização da mesma;

- comer sozinho (ou com pouca ajuda);

- diversificar os ambientes de realização das tarefas;

- realizar as actividades de higiene, como lavar a cara, as mãos, tomar banho, lavar os dentes, fazer a barba, ...;

- ter formas de comunicação que lhe permitam chamar atenção, pedir ajuda, recusar ou pedir mais;

- deslocar-se com pouca ajuda em espaços da sua rotina diária;

- conhecer os espaços onde se desloca e move, assim como as pessoas que os compõem, como a escola, casa e comunidade;

- trabalhar a independência no uso da casa de banho (ser o mais independente possível e pedir ajuda quando não consegue ser aut;

- visitar espaços da comunidade envolvente a fim de os conhecer e relacionar;

- proporcionar actividades que facilitem o alargamento de experiências, em diferentes ambientes, como: visitar locais da comunidade, ir às compras, café, mercado, ir à biblioteca, levar uma carta ao correio, pagar a água, ...;

- utilizar os meios de comunicação pessoal para promover o desenvolvimento da, como a Internet, telefone, correios, ...;

 

Estratégias de estimulação Sensorial

- proporcionar áreas com segurança para a aprendizagem e para a brincadeira;

- criar um ambiente controlado e pouco confuso, onde o aluno possa aprender, praticar e concentrar-se nas actividades propostas;

- utilizar “landmarks” e cores com texturas para auxiliar a orientação e a organização do aluno;

- arrumar os materiais e objectos em locais próprios, desenvolvendo a orientação e a consistência ambiental;

- utilizar materiais/objectos de diferentes texturas, tamanhos, formas, pesos, etc.;

- aplicar objectos da vida diária;

- usar o “little room” ou pequenos ginásios onde o aluno possa desenvolver as suas capacidades e habilidades;

- empregar materiais que activem e desenvolvam os sentidos: vestibular, auditivo, olfactivo, táctil e gustativo do aluno (como o uso de objectos produtores de vibrações, ressonâncias, ritmos, pesos e temperaturas para desenvolver estes sistemas sensoriais);

- utilizar de switch sonoros;

- aplicar pistas sonoras e tácteis que permitam encontrar objectos ou explicação para algumas situações;

- usar texturas secas, húmidas e molhadas;

- realizar actividades de estimulação sensorial em ambientes controlados e mudá-los gradualmente para ambientes naturais;

- organizar actividades rotineiras a fim de proporcionar experiências sensoriais e encorajar a sua utilização em situações específicas;

- deixar o aluno explorar objectos, alimentos e pessoas;

- tocar primeiro na mão do aluno antes de apresentar um objecto;

- apresentar primeiro as texturas nas costas da mão do aluno e só depois na palma da mão;

- apresentar os objectos/materiais nas partes do corpo da criança menos sensíveis (joelhos, cotovelos e ombros);

- ensinar/estimular o uso das mãos como ferramentas de exploração e experimentação;

- permitir que os objectos estejam ao alcance do aluno;

- efectuar a estimulação sensorial de forma cuidada, sistemática e gradual (para não criar confusão ao aluno);

- explorar objectos/materiais em conjunto com o aluno (mostrar como se segura, utiliza e explora os objectos);

- ensinar/estimular a criança a aproximar-se e a tocar nos outros.

 Estratégias para desenvolver a Motricidade

- aplicar materiais/objectos surpresa durante as actividades para auxiliar no desenvolvimento e skills;

- realizar actividades variando os espaços de realização das mesmas;

- aproveitar materiais/equipamentos que permitam o trabalho de habilidades motoras, como: puxar, apanhar, largar objectos;

- utilizar materiais estimuladores e diversificados;

- realizar actividades que promovam e desenvolvam a consciência do próprio corpo, a lateralidade, a coordenação geral, o equilíbrio, organização do esquema corporal e a organização espacial;

- trabalhar skills que promovam o desenvolvimento global da criança com multideficiência no sentido de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida;

- realizar actividades que auxiliem o desenvolvimento da motricidade fina e grosseira;

- ter em conta os posicionamentos da criança (recorrer à ajuda de um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta se necessário);

- realizar actividades de carácter individual e em grupo;

- planificar actividades tendo em conta as capacidades e as “limitações” do aluno, realizando as devidas adaptações assim como as progressões pedagógicas.

 

Estratégias para desenvolver a Cognição

- utilização do jogo como instrumento de desenvolvimento da cognição: esconder objectos pode ensinar à criança que os objectos permanecem; despejar o conteúdo de uma caixa podem aprender a relação causa-efeito; se empilharem peças podem aprender a relacionar tamanho e forma;...;

- utilizar as rotinas diárias significativas para a criança como momento de aprendizagem;

- proporcionar à criança experiências significativas, organizadas e diversificadas;

- proporcionar actividades onde o principio, o meio e o fim sejam claros e onde ambos (aluno e professor/educador) possam realizá-la em conjunto;

- proporcionar espaços seguros para a aprendizagem e para a brincadeira;

- dar oportunidade ao aluno de experimentar várias situações onde tenha controlo sobre o seu ambiente, de forma a generalizar os skills aprendidos;

- garantir a generalização das aprendizagens realizadas com todas as situações significativas;

- criar um ambiente controlado e pouco confuso, onde o aluno possa aprender, praticar e concentrar-se nas actividades propostas;

- aplicar jogos/objectos/materiais que propiciem o desenvolvimento da cognição;

- definir dentro do ambiente do aluno diferentes áreas de realização de actividades;

- arrumar os materiais e objectos em locais próprios, desenvolvendo a orientação e a consistência ambiental;

- utilizar materiais/objectos de diferentes texturas, tamanhos, formas, cores, pesos, etc.;

- deixar o aluno explorar objectos, alimentos e pessoas;

- permitir que os objectos/materiais estejam ao alcance do aluno;

- use objectos simples de forma a facilitar a sua exploração por parte da criança e que sejam significativos para ela;

- garantir que a informação fornecida e as competências a desenvolver sejam úteis e contribuam para aumentar a sua independência na vida futura;

- motivar o aluno para a aprendizagem e saber qual o tipo de reforço mais efectivo para a criança (prémio social, comida, brinquedo preferido...);

- conhecer as condições óptimas para a criança aprender, assim como as estratégias que esta utiliza para explorar o seu ambiente, etc...

publicado por Educação Especial em Loulé às 21:01

Competências comunicativas a desenvolver

Na criança com multideficiência o professor/educador deve delinear as competências comunicativas a desenvolver tendo em conta as suas capacidades comunicativas, assim como as interacções sociais a que esta está sujeita.

De uma forma geral o educador deverá procurar elevar o nível das capacidades comunicativas e ampliar o número e a qualidade das interacções sociais.

Como tal, é imperioso conhecer a forma como a criança interage socialmente (com pares e adultos), uma vez que é com base no estabelecimento de uma boa relação afectiva que a criança explorará o ambiente com maior segurança. Também é importante que o professor/educador conheça a forma como a criança comunica os seus desejos, necessidades, etc.

Relativamente à interacção social, o professor/educador deve verificar se a criança consegue “pegar a vez”; apurar quantos turnos é capaz de tomar antes de se desinteressar da acção; ver se acriança consegue iniciar, manter e terminar uma interacção; quais os parceiros com quem interage.

No que diz respeito à comunicação, deve observar se a criança demonstra intenção comunicativa; quais as formas que utiliza para receber e expressar informação; quais as razões porque comunica; se é capaz de efectuar uma escolha.

É necessário criar oportunidades comunicativas para que a criança com multideficiência possa comunicar, assim como é importante que esta sinta necessidade de comunicar.

 

Estratégias, actividades e materiais para desenvolver a capacidade comunicativa

 

As actividades devem visar o desenvolvimento da comunicação e a formação de conceitos, a fim de serem partilhados com adultos e pares.

Esta intervenção deve ocorrer em contextos naturais. Devem então, aproveitar-se as oportunidades naturais e inserir outras nas actividades que a criança multideficiente desenvolve.

De seguida apresentamos algumas estratégias que envolvem actividades e materiais que procuram desenvolver a comunicação receptiva e expressiva.

Pistas de informação

As pistas de informação são formas de comunicação receptiva que procuram desenvolver na criança a capacidade de antecipar o que vai acontecer. Têm também por objectivo dar informações específicas que apoiem as interacções estabelecidas entre a criança e os parceiros de comunicação, assim como desenvolver as competências de comunicação receptiva, desenvolvendo o sentimento de segurança.

 

Exemplos de pistas naturais ou de contexto (fazem parte do ambiente natural da criança):

- a água da torneira a correr poderá indicar que está na hora do banho;

- o cheiro da comida poderá indicar que está na hora do almoço;

- o cheiro do frasco do champô poderá indicar para lavar a cabeça.

 

Exemplos de pistas de movimento (são movimentos executados em conjunto com a criança):

- balouçar a criança para lhe dizer que vai andar de balouço;

- pegar-lhe no braço levemente e fazer com ela o movimento de levar a colher à boca, indicando que vai comer;

- pegar nos braços devagar e elevá-los acima da cabeça para indicar que vai tirar a camisola;

- fazer o movimento de nadar com os braços para indicar a entrada na piscina.

 

Exemplos de pistas tácteis (são apresentadas à criança através do toque):

- tocar na zona da axila da criança para que esta se levante;

- fazer pressão sobre os seus ombros para dizer que deve sentar-se;

- tocar no pé da criança para que esta calce o sapato.

 

Exemplos de pistas de objectos (pode ser um objecto ou parte deste e é usado para dar informação à criança):

Com objectos reais:

- a colher poderá ser utilizada para indicar a hora do almoço;

- a mochila pode ser usada para indicar que está na hora de ir para casa;

- uma poderá ser utilizada para indicar que vai começar a aula de psicomotricidade.

Com partes de objectos:

- um pedaço de uma embalagem de um chocolate para saber se quer comer chocolate;

- uma tampa de caneta de feltro poderá indicar que vai pintar;

- a tampa de um iogurte pode ajudar a compreender que vai comer iogurte.

Exemplos de pistas gestuais (são gestos que se fazem dentro do campo visual da criança):

- fazer o gesto que “não” com a cabeça;

- fazer gesto de comer para dar a informação de que está na hora do almoço;
- fazer o gesto para indicar que a actividade acabou.

 

Exemplos de pistas de imagens (são contornos de objectos, desenhos, fotos, símbolos gráficos que podem representar acções, pessoas, locais, etc.):

- a fotografia de um lavatório poderá indicar À criança que deve lavar as mãos;

- um símbolo gráfico pode dar informação à criança de uma tarefa a realizar;

- a fotografia do professor de psicomotricidade poderá indicar que vai começar a aula.

 

Para avaliarmos o grau de implementação das pistas de informação e o desenvolvimento da criança poderemos construir grelhas que nos permitam registar as evoluções verificadas (exemplo de uma grelha de avaliação):

 

Objectos de referência

A utilização de objectos de referência é uma das possíveis estratégias a usar para ajudar a criança com multideficiência a desenvolver competências comunicativas que lhe permita manifestar preferências, gostos, sentimentos e necessidades. Uma vez que estas crianças se expressa através de formas de comunicação não verbal.

Os objectos de referência ajudam também a criança a fazer a transição das formas de comunicação não simbólicas para simbólicas, assim como auxiliam na compreensão do ambiente que as rodeia.

A escolha dos objectos de referência deve ter em conta: o tamanho, espessura, contraste, motivação da criança, local a escolher, assim como as capacidades da criança.

 

Os objectos de referência podem ser:

- reais – objectos utilizados nas actividades e que representam uma acção, pessoa ou um evento, por exemplo:

- garrafa de água para representar a acção “beber”; 

- bola para representar a acção “jogar”;

 - sapato para representar a acção “calçar”.

 

- partes de um objecto – partes de objectos utilizados nas actividades e que representam uma acção, pessoa ou um evento, por exemplo:

- um pedaço de lençol para representar a “hora de dormir”;

- uma parte do cinto de segurança de um carro pode representar “ir andar de carro”;

- uma tampa de um iogurte pode representar “comer”.

 

- objectos associados – são objectos que embora não sejam utilizados na actividade realizada pela criança, representam-na por serem idênticos, por exemplo:

- qualquer boné pode representar uma ida à rua;

- qualquer copo pode representar a acção “beber”;

- qualquer talher pode representar a acção “comer”.

 

Sugestões de utilização de objectos de referência:

- criar caixas de objectos iguais (pentes, copos, pratos...) com diferentes características (diferentes tamanhos, formas, cores...);

- ter cestos com diferentes objectos, para que a criança exprima através da selecção destes, os seus desejos e preferências;

- utilizar objectos de referência em conjunto com símbolos gráficos e com palavras escritas;

- construir calendários de actividades com objectos reais;

- criar dispositivos com objectos de referência para escolher, por exemplo o que quer lanchar;

- fazer quadros, livros, tabuleiros e dispositivos onde se coloquem objectos de referência;

- reduzir e ampliar o tamanho e a espessura objectos de referência;

- seleccionar objectos que contrastem fortemente em termos da textura, da forma, da cor e do respectivo significado, a fim de facilitar a compreensão;

- ter em conta as preferências e o grau de motivação da criança;

- simplificar a utilização de objectos de referência, ou seja perceber quais as características mais significativas para a criança (possibilitando uma fácil utilização e o acesso a níveis cognitivos mais elaborados);

- seleccionar objectos de referência que sejam significativos, atractivos e facilmente reconhecidos;

- utilizar os objectos de referência nas actividades naturais mais significativas para a criança;

- introduzir um objecto de cada vez para representar uma acção (progressivamente podem ser introduzidos mais objectos);

- encorajar a utilização dos objectos de referência, assim que a criança esteja familiarizada com a compreensão da informação;

- utilizar os objectos de referência em conjunto com tecnologias de apoio, como por exemplo com digitalizadores da fala;

- Aumentar progressivamente o vocabulário receptivo e expressivo da criança estimulando-a a seleccionar novos objectos de referência e a respectiva atribuição de significado;

- usar os objectos de referência de forma sistemática e consistente pelos profissionais que trabalham com a criança e pelos encarregados de educação, avaliando e reestruturando sempre que necessário.

 

Calendários

Os calendários são constituídos por símbolos que estão organizados de forma sequencial e que representam actividades a realizar, auxiliando a criança com multideficiência a compreender o que vai fazer.

Os símbolos utilizados no calendário podem ser palavras, imagens ou objectos e a sua escolha depende das capacidades visuais e cognitivas da criança.

Antes de se utilizar este sistema é necessário estabelecer rotinas diárias e conhecer as capacidades comunicativas, visuais, motoras e cognitivas da criança.

Existem vários tipos de calendários:

Calendário de antecipação – permite à criança antecipar os eventos ou as actividades que vão acontecer a seguir.

Calendário diário – permite à criança conhecer as actividades que vai desenvolver ao longo do dia.

Calendário semanal – permite à criança conhecer as actividades que vai desenvolver ao longo da semana.

Calendário mensal – permite à criança conhecer as actividades que vai desenvolver ao longo do mês.

Agenda – permite à criança conhecer as actividades que vai desenvolver ao longo de um conjunto de meses, período ou semestre.

 

Sugestões relativas ao uso de calendários:

- utilizar os calendários em vários ambientes (salas de aula, ginásio, casa...);

- conversar com a criança acerca das actividades organizadas sequencialmente;

- explicar que as actividades se realizam umas a seguir às outras;

- aumentar gradualmente a quantidade de actividades expostas no calendário;

- criar oportunidades, sempre que possível, para que a criança seleccione o objecto que deverá representar a actividade;

- utilizar o calendário para explicar a razão de determinada actividade não se realizar;

- adicionar informação em relação à actividade (por exemplo: local, com quem...);

- usar o calendário para despertar a curiosidade da criança, introduzindo novos tópicos para simbolizar novas actividades;

- utilizar o calendário para fazer perguntas, comentários, pedidos, etc. acerca das actividades realizadas.

 

Interacções comunicativas

As interacções comunicativas ocorrem na relação com os outros, baseadas em tópicos provenientes de experiências. Torna-se então necessário promover à criança com multideficiência oportunidades para estabelecer interacções comunicativas, as quais devem ser desenvolvidas nas actividades da vida diária.

 

Estratégias para desenvolver as interacções comunicativas:

- promover interacções significativas para a criança a fim de desenvolver o “pegar a vez”;

- procurar desenvolver actividades que envolvam alternância de turnos (quer sejam de interacção social ou que envolvam conteúdos) que incluam a atenção sobre os objectos, de forma a criar oportunidades de aprendizagem nas interacções que se estabelecem com a criança;

- reconhecer na criança os comportamentos potencialmente comunicativos e seleccionar aqueles que possam ser úteis para a envolver activamente nas interacções e responder-lhes adequadamente;

- responder aos comportamentos utilizando formas de comunicação que correspondam ao nível de compreensão da criança;

- proporcionar oportunidades para que a criança possa iniciar uma conversa (para chamar a atenção, pedir algo, partilhar informação...);

- seleccionar dentro das actividades os tópicos (motivadores para a criança) de conversa e ter em conta que não é possível falar acerca de tudo o eu existe no ambiente;

- dar tempo à criança para que esta responda;

- construir: livros de comunicação, dispositivos de comunicação, assim como usar tecnologias de apoio;

- ensinar à criança sinais indicadores do inicio e fim de uma conversa (por exemplo: desviar a atenção ou introduzir outro tópico);

- focalizar a interacção nas actividades que a criança consegue fazer, a fim de desenvolver a capacidade comunicativa;

- mostrar à criança respeito, para que esta confie no interlocutor e saiba que este respeita as suas capacidades;

- aproximar-se da criança, tocar-lhe, sorrir próximo dela, para promover o bem estar emocional da mesma;

- ter em conta o posicionamento da criança, de forma confortável e a fim de possibilitar a interacção com o parceiro;

- demonstrar à criança, através de um posicionamento próximo, disponibilidade para a interacção comunicativa;

- utilizar objectos e movimentos como tópicos para auxiliar no estabelecimento de uma conversa;

- acompanhar sempre a linguagem oral com outras forma de comunicação, como por exemplo: expressões, objectos, gestos, imagens...;

- falar de uma forma clara e com um ritmo calmo;

- verbalizar o que a criança procura dizer;

- utilizar frases curtas e fazer pausas frequentes, para que a criança processe a informação.

 

Avaliação

Inicialmente o professor/educador deverá recolher alguma informação prévia acerca do percurso educativo, os aspectos clínicos, ambiente escolar e das necessidades e prioridades da família.

Após esta recolha de informação, deverá analisar toda a informação recolhida, no sentido de decidir o que pretende avaliar, quais as actividades, em que ambientes, quem vai avaliar, quando, quais os materiais e os instrumentos a usar.

A avaliação deve centrar-se nas actividades realizadas, avaliando: as capacidades e as necessidades da criança com multideficiência e a forma como funciona nas actividades.

Deve ainda ser avaliado o modo como as actividades decorrem, as prioridades da família e da equipa multidisciplinar e das dificuldades existentes.

Desta forma, o professor/educador poderá obter informação que permitirá compreender as competências e as necessidades da criança, como funciona nos diferentes ambientes e contextos. No sentido de tomar decisões relativas à planificação da intervenção, tendo como principal objectivo o funcionamento da criança multideficiente no futuro.

publicado por Educação Especial em Loulé às 21:00

Actividades práticas

De seguida apresentaremos algumas sugestões de actividades práticas que poderão ser utilizadas com a criança/jovem com multideficiência no sentido de estimular as suas capacidades comunicativas.

 

Actividade nº1

Denominação: Reunião matinal.

Ambiente: sala de aula.

Materiais: calendário diário com as actividades a realizar.

Procedimento: as crianças devem ser posicionadas num círculo ou semicírculo, sentadas confortavelmente em almofadas, ou nas cadeiras. Em seguida, apresente as crianças uma às outras, ou se possível faça-as dizer cada uma o seu nome (dizer o nome, “bom dia”, cumprimentando-se). Pergunte ao grupo quem está presente e ausente e discuta a sequência das actividades diárias (mostrando os objectos relacionados com as actividades). Distribua um objecto por cada criança e peça a cada uma que tome a vez, colocando o objecto no calendário de acordo com a actividade solicitada.

 

Actividade nº2

Denominação: Jogo da água.

Ambiente: sala de aula ou recreio.

Materiais: água, brinquedos, esponja, copos, funis, jarros, alguidar.

Procedimento: coloque as crianças em volta do alguidar com água e encoraje-as a identificarem-se umas às outras. Em seguida, coloque alguns brinquedos dentro do alguidar e motive as crianças a agarrá-los. Introduza sinais para os objectos e conceitos (como: água, esponja, obrigado, etc.). As crianças devem agarrar os brinquedos e os restantes materiais, explorá-los e trocá-los, promovendo da interacção e consequentemente a comunicação.

 

Actividade nº3

Denominação: Jogo “O que é que queres?”

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: 3 pares de objectos comuns e familiares (um dos pares deve terá lgo que a criança aprecie verdadeiramente).

Procedimento: sente a criança em frente da mesa e coloque um par de objectos em cima da mesa entre dois pares. Segure as suas mãos e aponte os objectos nomeando-os. Repita os nomes várias vezes mantendo sempre o contacto das mãos da criança com os objectos. Pergunte-lhe “O que é que queres?” Se ele apontar o objecto ou disser o seu nome (consoante as suas capacidades) recompense-o e deixe-o brincar com o objecto. Poderá repetir o procedimento até se esgotarem todos os pares de objectos.

 

Actividade nº4

Denominação: Canção do bom dia.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: rádio.

Procedimento: as crianças devem ser posicionadas num círculo ou semicírculo, sentadas confortavelmente em almofadas, ou nas cadeiras. Em seguida comece a canção (que poderá ser acompanhada com o rádio) e vá apresentando as crianças, fazendo-as apresentarem-se e dizer “bom dia” (em grupo e individualmente).

 

Actividade nº5

Denominação: Jogo “Meu e teu”.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: objectos pertencentes a membros da família ou de colegas (desde que sejam identificáveis por elas).

Procedimento: pegue nos objectos individualmente e identifique-os (diga: “sapato da mãe” ou aponte para uma fotografia – consoante as capacidades da criança). Após a identificação de cada objecto, peça-lhe que os identifique (“onde está o sapato da mãe?”). A criança poderá identificar agarrando-o, apontando-o, nomeando-o...

 

Actividade nº6

Denominação: Jogo do sim e do não.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: 2 caixas pequenas, 3 a 6 objectos comuns que a criança reconheça facilmente.

Procedimento: Tire um objecto de uma das caixas e pergunte: “Isto é uma bola?”. A criança deverá dizer “sim” ou “não”, ou então apontar ou nomear por meio de simbolismo se a resposta é “sim” ou “não”. Consoante a evolução da criança poderemos encorajá-la a completar a resposta.

 

Actividade nº7

Denominação: Imitar movimentos dos braços.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: Nenhum.

Procedimento: sente-se em frente da criança coloque os braços para cima e diga: “braços para cima”. Auxilie a criança se necessário. Coloque os braços para baixo e diga: “braços para baixo”. Esta situação motora deverá auxiliar o desenvolvimento da comunicação receptiva.

 

Actividade nº8

Denominação: Imitar sons.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: 3 brinquedos diferentes.

Procedimento: coloque os 3 objectos próximos do aluno. Tire um dos objectos e emita o som associado a esse objecto. Em seguida dê-lhe o objecto e toque-lhe nos lábios para que este imite o som.

 

Actividade nº9

Denominação: Leitura globalizante.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: cartões, fita-cola, palavras escritas.

Procedimento: coloque as palavras nos cartões e faça 5 cópias de cada uma. Primeiro deve ensinar a criança a emparelhar as palavras. Depois cole a palavra no respectivo objecto e peça-lhe para ler, ou para colar a palavra no objecto. Quando vir que o aluno se lembra das palavras e as associa aos objectos em questão, poderá introduzir mais algumas.

 

Actividade nº10

Denominação: Aprender os nomes dos membros da família.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: qualquer tipo de objecto ou brinquedo familiar à criança.

Procedimento: esta actividade deve funcionar com membros da família. O educador deve dar um objecto previamente à criança e dizer por exemplo: “dá a bola ao pai”. O pai deve estender a mão a fim de receber o objecto. Consoante a evolução da criança os familiares devem deixar de estender o braço. A criança deve entender a “ordem” dada pelo educador, reconhecer o familiar e se possível verbalizar.

 

Actividade nº11

Denominação: Categorização de figurasl.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: figuras de objectos familiares pelas suas funções comuns.

Procedimento: coloque um conjunto de figuras/fotos espalhadas numa mesa. Por exemplo: coloque a figura de uma maçã, uma bola, um carro, um prato de sopa, uma toalha, uma colher e um sabonete. Peça-lhe que lhe dê um objecto para ir ao banho, se ele lhe der só o sabonete pergunte-lhe: “o que precisamos mais para ir ao banho?”. Se ele não conseguir dê-lhe pistas verbais ou gestuais. Quando a criança entender a tarefa introduza novas figuras.

 

Actividade nº12

Denominação: Nomear objectos.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: objectos de uso comum agrupados em categorias (exemplo: alimentos: maçã, banana, bolacha, bolo).

Procedimento: distribua os objectos pela sala de forma clara e visível para o aluno e pergunte: “o que é que se come?”. Deixe o aluno escolher um e pergunte-lhe: “o que é isso?”. A um nível mais inicial poderá nomear objectos e pedir que a criança os agarre ou aponte.

 

Actividade nº13

Denominação: Passaporte para a comunicação.

Ambiente: sala de Aula/casa.

Materiais: dossier, folhas.

Procedimento: o professor/educador poderá organizar um dossier que acompanhará o aluno multideficiente (por exemplo: na cadeira de rodas) que funcionará como veículo de transmissão de informação entre escola e a cãs do aluno. Também poderá ser útil quando se verificam alterações ao nível dos recursos humanos que trabalham com o aluno. Este dossier deverá falar na primeira pessoa e conter informação diversa acerca do aluno (dados pessoais, medicação, gostos, dificuldades, ...).

 

Actividade nº14

Denominação: Livro da comunicação.

Ambiente: sala de Aula/casa.

Materiais: dossier, folhas, objectos, fotos.

Procedimento: estes podem ser construídos utilizando vários formatos que devem ser adequados às características da criança. Uma das possibilidades, é construir usando um dossier A4 ou A5. No livro poderão utilizar-se objectos reais, partes de objectos, fotos, imagens, entre outros. Podem ainda ser organizados em categorias. Para além disto, poderão utilizar-se por exemplo: SPC – símbolos pictográficos para a comunicação ou a ECS – escrita com símbolos.

 

Actividade nº15

Denominação: Dispositivo de comunicação.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: poderá ser construído em cartolina, cartão, tecido...

Procedimento: O dispositivo de comunicação é fixo, ou seja, deverá encontrar-se num local específico da sala de aula. Deve utilizar símbolos adequados à compreensão e expressão da criança (objectos ou imagens). Estes devem permitir conversar acerca dos gostos, sentimentos, emoções, necessidades e preferências.

 

Actividade nº16

Denominação: Dicionário de símbolos.

Ambiente: sala de Aula/casa.

Materiais: objectos, dossier, imagens.

Procedimento: quando o aluno trabalha com símbolos, o professor deverá organizar dicionários. Estes dicionários deverão compreender todos os símbolos com que a criança trabalha, isto é, todos aqueles que a criança conhece.

 

Actividade nº17

Denominação: Utilização da chave Fitzgerald.

Ambiente: sala de Aula/casa.

Materiais: dossier, folhas, marcadores, imagens.

Procedimento: quando a criança já utiliza uma quantidade considerável de objectos de referência e as respectivas capacidades cognitivas o permitem, poderá ser útil utilizar-se um sistema de codificação dos objectos, o qual poderá ser baseado numa categorização semântica. O objectivo é tornar mais rápido e eficaz o acesso aos objectos de referência.  Na chave Fitzgerald a cor amarela representa as pessoas, a cor azul os locais, a cor vermelha os sentimentos, a cor verde as acções, a cor de rosa representa os aspectos relacionados com a interacção social (como por exemplo: os cumprimentos) e a cor branca representa outras situações não referidas.

 

Actividade nº18

Denominação: Jogo de ordenação dos acontecimentos.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: objectos diversos referentes às actividades realizadas.

Procedimento: no final da manhã ou no final do dia, o professor poderá questionar o aluno sobre o que fez durante esse período. O aluno poderá escolher os objectos correspondentes às actividades realizadas e ordená-los, ou até colocá-los num dispositivo de comunicação. Este jogo poderá auxiliar a criança a expressar-se de uma forma mais estruturada.

 

Actividade nº 19

Denominação: Caixa mágica.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: uma caixa com diversos objectos.

Procedimento: a caixa deve conter materiais diversos, como por exemplo: objectos da vida diária, brinquedos,... O professor poderá utilizar esta caixa para trabalhar com o aluno a identificação dos objectos. Criando situações onde deixe que o aluno escolha o objecto que posteriormente irá servir para ser trabalhado. De forma a identifica-lo verbalmente, ou apontando para um símbolo. O professor poderá também pedir que o aluno lhe traga um objecto especifico, ou até mais do que um.

 

Actividade nº20

Denominação: Simbologia gráfica.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: objectos, bases de madeira ou cartão, palavras escritas ou símbolos.

Procedimento: o professor deverá colar nos cartões (ou madeira) as palavras escritas ou os símbolos. Através de conversa deverá solicitar à criança que esta coloque os objectos no respectivo lugar.

 

Actividade nº21

Denominação: Utilização de switches.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: switches, objectos diversos.

Procedimento: os switches são equipamentos electrónicos que poderão auxiliar a criança a expressar as suas necessidades, desejos e preferências. Estes poderão também ter registos gravados que ao serem premidos pelo aluno poderão emitir um som, uma saudação, ou uma mensagem.

 

Actividade nº22

Denominação: Calendário.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: objectos ou imagens, caixas ou cartolinas.

Procedimento: os calendários são sistemas de símbolos organizados sequencialmente e que representam as actividades a realizar. Podem utilizar-se objectos reais, partes de objectos, imagens, desenhos, palavras, fotos, dependendo das capacidades cognitivas e visuais da criança. Podemos colocar caixas com os objectos organizados sequencialmente, ou numa parede (em cartolina por exemplo). Este sistema auxiliará a criança a compreender o que vai fazer a seguir.

 

Actividade nº 23

Denominação: Utilização do tabuleiro.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: tabuleiro e objectos diferentes.

Procedimento: apresente 2 tipos de objectos extremamente diferentes num tabuleiro, deixe que a criança os examine e explore. Depois peça-lhe que encontre o adequado para a função pedida, por exemplo: “dá-me o que serve para lavar os dentes”; “para calçar o pé”; “o que usas para secar as mãos”. Deverá aumentar gradualmente o número de objectos.

 

Actividade nº24

Denominação: Utilização de um quadro.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: quadro, objectos, desenhos, palavras escritas, símbolos.

Procedimento: o quadro poderá ser utilizado para o professor transmitir informação ao aluno. Nesse quadro poderão ser colocados objectos, símbolos ou palavras escritas e poderá servir para desenvolver a comunicação e a interacção do aluno.

 

Actividade nº 25

Denominação: Jogo “o que fiz e o que ainda vou fazer”.

Ambiente: sala de Aula.

Materiais: 2 caixas e objectos referentes às actividades diárias.

Procedimento: o professor deve explicar ao aluno que uma das caixas deve ser referente às actividades do dia e a outra deve ser referente às actividades realizadas. Desta forma a criança desenvolverá as noções de passado e de futuro, baseada no que acabou de acontecer e na actividade que vai realizar de imediato.

 

Actividade nº26

Denominação: Portefolio.

Ambiente: escola.

Materiais: dossier, folhas.

Procedimento: o portefolio é uma colecção cumulativa e sistemática de registo de informações concisas e claras que procura documentar o processo de aprendizagem da criança. Este deve estar acessível a todos os intervenientes no processo educativo. Este deve registar o percurso de aquisição de competências e ser um documento em constante reformulação e manuseamento.

 

Actividade nº27

Denominação: Little room.

Ambiente: sala de aula.

Materiais: diversos.

Procedimento: este constitui um equipamento que poderá tornar-se num desafio para a criança. Consiste num pequeno espaço individualizado e controlado onde os objectos (com características sonoras, visuais, proprioceptivas,...) estão suspensos no tecto e nas paredes laterais. Estes devem ser escolhidos tendo em conta o nível de desenvolvimento da criança. Servirá para proporcionar oportunidades de exploração, assim como desenvolver a interacção social. O tamanho deste equipamento dependerá do tamanho da criança.

 

Actividade nº28

Denominação: Quadro de ressonância.

Ambiente: sala de aula.

Materiais: placa de madeira contraplacada com 4mm de espessura, com as seguintes medidas: 150cm x 150cm e com margens de 2cm x 2cm.

Procedimento: o professor pode sentar-se no quadro com a criança sentada na sua perna para tomar contacto com o quadro e produzir pequenos sons, dando informação à criança do que vai fazer. Colocar progressivamente a criança no quadro produzindo sons ligeiramente mais fortes. Quando acriança já se sentir segura, pode colocar objectos junto às suas mãos e pés. Com o tempo a criança ficará sozinha a explorar os sons.

 

Actividade nº29

Denominação: Brincadeira com instrumentos musicais.

Ambiente: sala de aula.

Materiais: instrumentos musicais diversos.

Procedimento: o professor poderá distribuir instrumentos musicais pelos alunos no sentido de estes explorarem os sons. Variantes: cada um poderá produzir sons; o professor poderá escolher um instrumento e emitir um som, para os alunos o identificarem; poderão interagir tocando em conjunto;...

 

Actividade nº30

Denominação: Natação.

Ambiente: piscina.

Materiais: touca, fato-de-banho,...

Procedimento: a água é um dos ambientes onde as crianças multideficientes interagem com maior facilidade. Numa piscina pequena ou com cintos flutuadores, os alunos poderão com o auxílio do professor realizar jogos de interacção social. O meio aquático favorece o desenvolvimento motor e cognitivo, assim como poderá funcionar como um factor desinibidor que favorecerá a descontracção e consequentemente propiciará o desenvolvimento da comunicação.

António Pedro Santos

 

publicado por Educação Especial em Loulé às 20:58
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Sim gostei última vez estou bem
Muito interessante e útil!
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